o valor da palavra

“ – Você já considerou mentir alguma vez? Só um pouco?

– Eu não vou fazer uma promessa que eu não posso cumprir. Quando muitas pessoas fazem falsas promessas, as palavras deixam de ter significado. Então não há mais respostas, apenas melhores e melhores mentiras. “

Esse diálogo de ‘Game of Thrones’, assistindo ontem pela 3a vez!, me caiu como uma luva para esse texto que venho ensaindo escrever há muito tempo! E para fechar 2019, o ano das ‘fake news’, me pareceu bastante apropriado tentar desenhá-lo!

Sinceridade, honestidade, quando a palavra tem valor. Nossa que mundo bom seria se todos pudéssemos simplesmente falar a verdade! Não estou falando Da Verdade, porque essa, obviamente, é diferente para cada um. Mas da verdade que está no coração, sem mentiras, sem trapaças, sem meias-palavras, sem fingimentos, sem dizer apenas para agradar…

Por que temos cada dia mais dificuldade em fazê-lo? Nossa sociedade até inventou uma palavra para desqualificar quem é sincero… é quem comete sincericídio. Como se dizer a verdade fosse uma agressão, uma forma de ‘se matar’ socialmente. Ora, ora, ora… que sociedade é essa que criamos?? De verdade, não entendo!

Quando ouço a Greta Thunberg falar sobre sua característica de ser direta na comunicação e não conseguir mentir, como parte de sua condição de autista diagnosticada com Síndrome de Asperger – a Organização Mundial da Saúde define a Síndrome de Asperger como um dos transtornos do espectro do autismo ou condições do transtorno global do desenvolvimento, as quais são um espectro de condições neurológicas que se caracterizam por dificuldades na interação social e na comunicação, além de interesses … – fico me perguntando, por que isso nos incomoda tanto?

Por que, para ser socialmente bem quistos, precisamos mentir, omitir, enganar, dizer meias-verdades? Será porque somos seres tão cheios de complexos e feridas afetivas que nos fazem melindrar por qualquer coisa que nos digam? Será porque não conseguimos mais olhar para dentro de nós e resolver nossas questões, com consciência e verdade? Será porque estamos tão fragilizados que não conseguimos lidar com as consequências de sermos honestos? Não sei… fico me perguntando…

Para mim, esse assunto pega. E pega muito. Talvez porque eu tenha aprendido em casa, e ensino meu filho, que se disser a verdade, não importa o que tenha feito, as consequências serão bem menores do que se disser uma mentira… Talvez porque tenho uma característica de espontaneidade que, por mais que eu trabalhe nisso, me leva a falar as coisas de bate e pronto… tipo ‘pronto falei’… e isso me deixa numa posição desconfortável nessa sociedade onde ser agradável é mais importante que ser sincero… não sei…

Acontece muitas vezes comigo, quando estou lendo ou assistindo algum depoimento, entrevista ou matéria sobre situações onde há versões conflitantes, de me pegar pensando, assim, sem querer, meio que automaticamente… ‘gente, mas é só falar a verdade!’… para logo em seguida rir de mim mesma, claro! Se todos falassem a verdade, aquela situação não existiria para começo de conversa!

Sei que alguns podem pensar que há uma dose de ingenuidade nisso que estou dizendo, e talvez haja, mas sinceramente, é assim que penso. Tenho muita dificuldade mesmo com a mentira, com a falsidade, com a hipocrisia…. quando alguém não é sincero comigo eu demoro muito a me dar conta… depois, quando cai a ficha, me sinto um pouco perdida, chateada… Talvez mais pessoas sintam como eu…

E olha, eu não estou falando de mentirosos contumazes como Bolsonaro ou Trump não…na minha visão eles são apenas a consequência, uma versão ampliada de nós mesmos, de uma sociedade de pequenos mentirosos… Estou falando de nós, na nossa vida cotidiana, nas nossas relações afetivas, comerciais, de amizade… pequenas e cotidianas mentiras, com as quais fomos nos acostumando e que fizeram com que a palavra perdesse seu valor.

Desejo, sinceramente, que em 2020, ano ponte entre o velho e novo mundo – pelo menos astrologicamente falando é assim que 2020 se caracteriza (leia mais sobre isso nesse post) – cada um de nós possa fazer essa reflexão – a cada situação, relação, momento da vida cotidiana – por que eu não posso ser sincero agora??

Meus sinceros votos de um mais feliz e verdadeiro ano para todos nós!

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