um olhar transcendente sobre a pandemia

Transcender é transpassar e ascender. Exercício de tentar ver além e por cima de algo. Ampliar o olhar além da dimensão imediata e de curto prazo que se apresenta a nossa frente.

É aí que tenho focado meu olhar sobre a pandemia. E o que vejo é que ela esfrega na nossa cara o que já sabíamos mas continuávamos fingindo inconsciência e que agora não podemos mais fugir.

Por exemplo:

  • que um sistema econômico que reserva para 1% da população 84% da riqueza produzida (dados de 2017 da Oxfam) não constrói um mundo possível

  • que não é um mundo possível um mundo sem um sistema universal, público e gratuito de saúde

  • que não é um mundo possível de viver esse que não tem um sistema de seguridade social que garanta um mínimo de segurança à vida e condições humanas para todos

  • que não estamos isolados; se faz mal para um faz mal para todos

  • que um jeito de viver que não nos permite dedicar um bom tempo pra aquilo que está diretamente ligado à preservação da vida como contemplar o belo, comer bem, dormir bem, se exercitar, admirar e participar da natureza, não é um jeito possível de viver

  • que um mundo que destrói sua própria casa não é um mundo possível

  • que um mundo sem conhecimento e educação de qualidade, gratuita e para todos também não é um mundo possível, pois é a única ‘salvação’ nos momentos de confusão, desinformação e emergência como o que estamos vivendo

Eu poderia ficar aqui dando mais ‘infinitos’ exemplos. Mas vou preferir continuar esse texto tentando mostrar alguns exemplos do que já vi acontecer nesse mundo em que vivemos em tão poucos dias de pandemia e que podem ser lindos exemplos para o novo mundo que construiremos após:

  • vi o ‘mais capitalista dos capitalistas’, como eu chamo Donald Trump, distribuir cerca de 300 bilhões de dólares do Estado às pequenas e micro empresas americanas para salvar a economia, tendo que se render ao fato de que o ‘tal’ mercado não dá mesmo conta de tudo (já sabíamos, mas ainda o temos como sistema principal do mundo em que vivemos) e tendo que se dobrar à necessidade de atuação do Estado para o bem de todos

  • assim como o vi se utilizar do poder do Estado para intervir no sistema privado de saúde para conseguir caminhar no controle da pandemia, tentando mal-e-mal dar conta, dessa maneira, de algo que apenas um sistema universal, público e gratuito de saúde pode dar conta

  • vi muitas pessoas, pela primeira vez na vida, pararem para pensar ‘Caramba, e agora?’. Sim a vida como a vemos é finita e parecemos viver num mundo em que essa vida tem que ser eterna… Morrer faz parte do ciclo de vida e enquanto a medicina ficar se preocupando em ‘esticar’ a vida a qualquer custo (lucro) não desenvolveremos uma medicina que seja preventiva e garanta qualidade de VIDA e não apenas o adiamento da morte

  • vi muitos governantes entenderem que apenas JUNTOS poderão dar conta do que está acontecendo, deixando de lado suas disputas de poder individuais, assim como vi indivíduos fazendo o mesmo, mais do que nunca

  • vi muita gente que NUNCA tinha buscado dentro de si, de casa, na quietude, as respostas para suas angústias, ao invés de mascará-las com as demandas sociais, agora buscando mais conhecimento, meditação…

  • individualmente, tenho visto muita gente sendo obrigada a encarar questões suas que já estavam ali faz tempo, mas que foram sendo adiadas até não poder mais, para só agora quererem de fato trabalhá-las

  • nos vi sendo capazes de resgatar beleza e alegria onde parecia impossível, vide a música na janela dos italianos ou tantos concertos online e gratuitos como estão rolando por aí

  • nos vi sendo mais solidários e preocupados com o coletivo do que nunca. Aliás, muita gente nem sabia propriamente o que ‘pensar no coletivo’ significava

  • vi águas cristalinas voltarem aos canais de Veneza

  • vi a poluição que destrói o planeta e mata milhares a cada ano diminuir drasticamente. Em Wuhan, por exemplo, eles viram o céu azul como NUNCA tinham visto antes…

  • vi uma quantidade de textos e vídeos falando sobre novas formas possíveis de viver e ver a vida como nunca tinha visto antes. Está em todo lugar, para quem queira acessar. E isso é muito lindo!!

Também poderia ficar aqui falando infinitamente, mas já coloquei meu ponto, certo?

Ah mas Ana, vc não está sendo muito ingênua de pensar que depois que passar a pandemia não vai tudo voltar a ser como era antes. Honestamente? Tenho certeza que não voltará.

Por que?

Primeiro porque a astrologia me diz que não. Todos que estudam astrologia já sabiam que algo de muito forte viria para uma mudança de paradigma, de sistema, de modus vivendi, só não sabíamos que seria através de um coronavírus. Porque astrologia é sobre ciclos. Ciclos dentro de ciclos. E o movimento que está acontecendo astrologicamente agora e que não é novo – é apenas mais um ciclo astrológico como outros do passado e do futuro que virá e que são inexoráveis no movimento da vida -, nos diz que estamos passando coletivamente de uma energia Capricórnio para energia Aquário. Não vou detalhar o que isso significa aqui pois já o fiz em diferentes textos, como este, por exemplo, ou este, que você pode ler!

Em segundo porque, estudando história podemos ver que em outros vários momentos onde tivemos acontecimentos de natureza tão global e impactante o mundo se transformou profundamente. As Guerras Mundiais, por exemplo, a Peste Bubônica, a Revolução Francesa…

E também, sem dúvida, porque a frase de Jung que diz ‘ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz e sim por tornar consciente a escuridão’ sempre foi um farol a me guiar! E sinto que é exatamente este o momento que estamos passando. De tornar consciente a escuridão. Individual e coletivamente. Do modo que criamos (ou aceitamos omissamente) para viver. E esse é o primeiro e único passo necessário para a transformação. Falei um pouco mais disso quando da eleição de Bolsonaro à presidência do Brasil neste texto.

Sei que ainda vamos passar tempos turbulentos e difíceis. E também sei que se eu olhar para o curto prazo ou à pouca distância, vou ver muito sofrimento, situações específicas muito dolorosas, perdas e mais perdas. E eu sinto muitíssimo!

Mas também sei que só há duas formas do ser humano caminhar: uma é pela ampliação de consciência que leva ao amor, e a outra é pela dor. E que nós somos seres acomodados, que não assumimos nossa própria responsabilidade pelo que acontece (ou não) na nossa vida. E que vivemos esperando um salvador ou ‘o dia em que’ seremos felizes. Não turma, não vai chegar esse dia. A não ser que algo muito potente e muito desestabilizador nos chacoalhe e nos obrigue a repensar o hoje! Para ser feliz hoje!

Pois tá aí a oportunidade!

E por isso o convite a um olhar transcendente. Sinto que a pandemia de coronavírus está nos obrigando a repensar TUDO. Individual e coletivamente. E isso será profundamente impactante nos caminhos que a humanidade vai tomar a partir desse tempo para repensar! E será para melhor. Eu tenho certeza!

Se não seremos todos iluminados a partir da escuridão enorme que estamos vendo, que pelo menos cada um de nós se encoraje a fazer a sua parte no todo! ‘Coragem é o que a vida quer da gente’ como muito bem disse Guimarães Rosa.

Sigamos juntos!

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