2022, astrologicamente falando

Não dá para falar de 2022 sem colocar em perspectiva o grande contexto. Aliás, essa é uma das áreas que mais me interessam na astrologia, a chamada mundial ou coletiva, que estuda os grandes fluxos energéticos a que estamos sujeitos aqui no planeta Terra, por fazermos parte desse sistema de vários planetas orbitando o mesmo Sol!

E para falar de 2022 eu escolho olhar especificamente para um aspecto deste ano, que se inaugura energeticamente na Lua Nova em Áries, na madrugada do dia 01/04 pelo horário de Brasília, que é o encontro entre Júpiter e Netuno em Peixes, que vai ocorrer, exato, no dia 12 de Abril.

E eu escolho falar desse aspecto, para mim o mais importante do ano, justamente por causa do grande contexto: 2022 representa o início da construção de um novo mundo possível depois de anos cuja energia predominante veio sendo de ‘queda’, ‘morte’, fim de um ciclo importante na história da humanidade, enquanto o novo ciclo tentava nascer timidamente, mas que em 2022 e 2023 ganha novos e importantes contornos e arranca definitivamente.

E eu vou tentar mostrar esse fluxo neste texto!

Celisa Beranger é uma astróloga brasileira especialista em astrologia mundial. Com ela aprendi sobre o índice cíclico criado pelo francês André Barbault, para avaliar os resultados terrestres da variação das distâncias entre os 5 planetas lentos. Ele estudou as maiores crises do século XX e viu que elas coincidiram com a baixa acentuada do índice cíclico, ou seja, uma acentuada aproximação entre os 5 planetas lentos – a saber Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão -, o que para Barbault desequilibra o centro do sistema solar, provocando graves crises no planeta Terra. E o pico dessa baixa no século XXI aconteceu em 2020, com a grande conjunção entre Saturno, Júpiter e Plutão em Capricórnio, como vários astrólogos destacavam, muito antes de sabermos da pandemia de coronavírus. (leia mais sobre isso nos posts 2020, o final de uma eraquem seremos depois de 2020?). Bem, em 2021 ele se manteve praticamente igual a 2020 e agora em 2022 esse índice começa um arranque lento porém constante de ascensão até 2030 e depois forma um gráfico de oscilações comuns até o final do século, mas nunca chega nem perto do pico de baixa de 2020.

Para os astrólogos mundiais, o que essa grave crise está representando é a morte de um estado de consciência coletivo para que outro nível de consciência possa se estabelecer para a humanidade. Estamos saindo de uma consciência Capricórnio, cuja energia fala de estruturas rígidas e hierárquicas, de sistemas econômicos e de poder estabelecidos onde poucos mandam e muitos obedecem, poucos lucram e muitos pagam a conta e onde o excesso de trabalho é a regra; para uma consciência Aquário, cuja energia fala de novas formas de vínculo, de relações onde os interesses de todas as partes são atendidos via diálogo e negociação, de que cada um deve encontrar a resposta dentro de si e não mais perguntando a alguém com mais poder ou informação, de um mundo onde individualidade e pertencimento encontrarão um balanço saudável e onde o fazer coletivo terá mais peso que o ‘sucesso’ pessoal. 

Claro que na história nada acontece da noite para o dia e por isso vemos outros movimentos e ciclos astrológicos muito importantes se desenrolando ao mesmo tempo, e ao longo do tempo, impulsionando o chamado para essa mudança de paradigma evolutivo, como vimos em outros importantes momentos da História. No post feliz ano novo, por exemplo, explico sobre a grande conjunção de Júpiter e Saturno no grau zero de Aquário em 21/12/20, encerrando um ciclo de quase 200 anos de energia predominantemente Terra e abrindo um novo ciclo de 200 anos de energia predominantemente Ar, mesma transição que assistimos entre os anos mais escuros da Idade Média e os novos ventos do Renascimento.

Em 2022 estamos assistindo a uma longuíssima e pouco comum caminhada conjunta entre Vênus e Marte em Aquário, tendo tido sua conjunção exata no mesmo grau zero de Aquário em 06/03. Quando Vênus (planeta que rege o feminino, o desejo) e Marte (planeta que rege o masculino, a ação) se juntam, significa simbolicamente a fecundação, a criação de uma nova vida. No mesmo grau da grande conjunção que inaugurou a nova era!!

Também vemos Saturno, planeta da responsabilidade, que segue em Aquário até 2023 pedindo uma nova consciência coletiva, uma nova forma de estar no mundo, nos responsabilizando coletivamente pela vida no planeta ao mesmo tempo em que respeitamos nossa individualidade. E neste ano de 2022, Saturno forma quadratura (aspecto tenso) com os Nodos Lunares do Carma, que, segundo a astrologia cármica, apontam os caminhos evolutivos que precisamos tomar coletivamente. Onde estão os nodos é onde acontecem os Eclipses, considerados empurrões coletivos em direção ao novo caminho evolutivo. Se quiser saber mais sobre isso leia o post Eclipses e o propósito dessa vida.

Desde janeiro de 2022 até final de 2023 os nodos estão em Touro-Escorpião, pedindo que olhemos para as profundezas de nós e deixemos de lado os exageros, os enganos e desonestidades, a superficialidade de um mundo onde não importa ser, mas parecer ser (nodo sul em Escorpião) e caminhemos em direção a uma vida mais simples, de maior contato com a natureza e dando valor ao que de fato tem valor (nodo norte em Touro). Ou seja, uma luta de forças para que novas estruturas de vida (Saturno) se estabeleçam de forma aquariana (a originalidade do indivíduo dentro do coletivo), com base em novos valores.

Por fim, precisamos falar de Plutão. O deus Hades na mitologia grega, o deus do submundo, do inconsciente profundo, da transformação, dos processos de morte e do morrer, regente de Escorpião. Plutão entra em Aquário em 2023 para uma breve visita, retorna à Capricórnio e entra  de vez em Aquário em 2024 para ficar até 2043!!! Plutão fica entre 12 e 32 anos em cada signo, pois tem uma órbita irregular, e sempre marca uma geração. Faz revoluções. Muda paradigmas. Plutão está em Capricórnio desde 2008 (última grande crise financeira do mundo ocidental) e em 2022 está percorrendo os últimos graus do signo – 28ºe 29º – que são graus considerados cármicos pela astrologia, onde um planeta tem grande força energética, mexendo profundamente nas estruturas econômicas e de poder no mundo, pois o novo mundo mais justo e bom para todos, precisa se estabelecer.

E é nesse grande contexto de mudança de paradigma e nível de consciência da humanidade que precisamos olhar para o grande encontro entre Júpiter e Netuno em Peixes, no 23º grau, exatamente no dia 12/04, semana da Páscoa, que significa renascimento, certo? 😍 E demora muito para eles se encontrarem viu! A última vez foi em 1856!

Júpiter é o maior planeta do nosso sistema solar, chamado o grande benéfico, o que expande o que toca. Netuno é o planeta que rege o inconsciente, o deus dos mares. É oitava maior de Vênus, planeta que rege o desejo no plano material, enquanto Netuno é o que rege a Vontade, aquela força que uma vez acessada pela consciência humana encontra vibrações mais sutis e elevadas e pode então transcender obstáculos e desafios que pareciam intransponíveis. Einstein afirmou “Há uma força motriz mais poderosa que o vapor, a eletricidade e a energia atômica: a vontade.”

Júpiter e Netuno são co-regentes de Peixes, último signo do zodíaco. Por isso, tudo que acontece em Peixes está nos falando de um final, enquanto toda conjunção significa um início. Ou seja, tem algo que precisa findar para que um novo início possa acontecer. Peixes é o signo do amor incondicional, da fé em algo maior que nós mesmos, da entrega a um objetivo que transcende nosso desejo do aqui e agora.

Então podemos ler simbolicamente esse encontro como um pedido, a cada um de nós individualmente e ao coletivo humano, para que possamos resgatar os valores mais caros e verdadeiros de amor, solidariedade e compaixão, e voltar a enxergar sentido no que transcende a materialidade desse mundo tridimensional que nossos olhos alcançam. Que deixemos morrer em nós aquilo que já não se alinha mais com a consciência dos novos tempos. Que uma nova florescência aconteça em todos os campos da atividade humana, com base em novos valores e o novo nível de consciência.

No texto sobre a Lua Nova em Peixes e a quaresma 2022 eu fiz um convite para que utilizássemos esse período, energeticamente poderoso, para transformar em nós o que quer que esteja nos impedindo de dar esse salto evolutivo tão necessário para a humanidade. (aliás, minha quaresma está sendo poderosíssima e depois vou compartilhar a jornada num post por aqui!) 💛 E neste texto eu reitero o convite, pois da Lua Nova em Áries de 01/04 até a grande conjunção de Júpiter e Netuno são 12 dias, período de grande força simbólica também, para que cada um realize suas intenções de mudança de paradigma de pensamento e forma de viver em algum ponto.

Porque de verdade acredito que a mudança virá, como veio em outros vários momentos da história da humanidade, quer queiramos ou não, quer estejamos alinhados com ela ou não. É, ao mesmo tempo, algo muito maior do que nós individualmente, e que tem em cada um de nós uma condição sine qua non para se realizar plenamente. Vamos?

Que a força de início para construção do novo deste ano de 2022 possa encontrar nossa força de vontade para fazer as mudanças necessárias! 💛

 

📷 minha na exposição de Hilma af Klint no museu Guggenheim em NY, 2019.

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